Mário Máximo - A Linguagem das Nuvens
Mário
Máximo publica com regularidade desde 1986 livros de poesia, crónica, teatro,
conto e ensaio. O seu mais recente trabalho (Edições Fénix, Capa, composição e
paginação de Tânia Marques) tem 112 páginas e está organizado em nove partes,
cada uma com dez poemas. O título está na contracapa - «Decifro a vida através
da literatura que me representa. Descobri que a linguagem das nuvens é, afinal
a minha linguagem de sempre». Mas também nos poemas das páginas 27 e 28: «A
linguagem das nuvens paira no firmamento. A linguagem das nuvens encanta os
olhares dos corpos». No poema da página 37 se percebe que acima do Homem e da
Mulher está Deus: «Deus é esse pormenor sem o qual nada poderia existir».
Depois de perguntar «Onde vivem as estrelas?», o poeta responde: «O firmamento
é uma pintura móvel onde os astros são pontos poéticos». Na página 110 o autor
apresenta-se: «Escrevo versos assim como as nascentes criam rios de leito
profundo». Na página 7 explica o seu ofício: «Desenho as curvas mais difíceis
da geometria interior». Mas adverte na página 8: «Não aceito sermões compostos
por palavras inertes». O seu ponto de partida é o da página 10: «Irei aprender
todas as línguas, idiomas, dialectos, variantes». Ele sabe que todo o poema é
uma resposta: «Ouvi o chamamento dos astros e os recados vindos de dentro». E
aspira a viajar entre a Terra e o Firmamento: «Aves efémeras cruzam os ares e
eu vou nesses voos em súplica». Porque é esse o seu lugar: «O poeta vive no
mundo de cima como no mundo de baixo». Neste conjunto de 90 poemas todos com 7
versos (sete é o número perfeito) se confirma uma ideia de Camilo Castelo
Branco (1825-1890) : a grande Poesia não tem presente; ou é sonho ou é saudade.
Sonho de um futuro por viver; saudade de um passado que não se repete. Tal como
numa oração, cada poema junta de novo dois tempos separados pela distância e
pela morte. JCF

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