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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

João de Melo - as lágrimas e os beijos ou «Gente feliz com lágrimas»


O Facebook tem destas coisas: li um texto teu mas perdi-lhe o rasto e apenas posso recordar os tópicos. Falava da tirania, do abuso de poder, do fascismo, da maldade. Falava da Turquia mas eu não me esqueço da Arménia porque passaram apenas cem anos e cem anos é muito pouco, é o tempo entre o meu avô e o meu neto. Escolhi uma foto de um funeral de crianças na Faixa de Gaza porque vem mesmo a propósito. Há apenas homens a chorar a morte dos seus filhos inocentes. As mulheres ficaram a chorar de outra maneira, depois de terem beijado os seus mortos. Há aqui na Faixa de Gaza o outro lado do Gueto de Varsóvia e o que eu vejo neste funeral de meninos lembra os mortos de Der Iassine em 1948. Trata-se da operação «chumbo fundidio» idealizada numa cama de Hospital por Ariel Sharon. A morte é sempre uma experiência limite, uma tragédia e nunca uma estatística. Houve um Quisling na Finlândia, um major Hadad no estado fantoche entre o Sul do Líbano e o Norte de Israel. Ambos foram executados a seu devido tempo. Sabra e Shatila são massacres muito falados em 1982. Ainda hoje muita gente ao recorda no Líbano e não só. Há poemas vários e outras memórias. Eu não esqueço. Muito curioso é o facto de o teu texto referir a Turquia. Sabemos que a Arménia era um país e passaram cem anos sobre o genocídio do seu povo. O senho Calouste Gulbenkian veio para Portugal e aqui se sentiu bem. Todos em Portugal ficaram a ganhar mas os arménios foram mortos como passarinhos e os rios encheram-se de sangue perto de Erevan. «A vida não é nobre, nem boa nem sagrada» escreveu Federico Garcia Lorca. A fotografia com o rumor das lágrimas e dos beijos mostra um funeral na Faixa de Gaza e prova isso mesmo. Como diz um título de um livro teu é tudo isto é a «Autópsia de um mar de ruínas». 

(Vinte Linhas 1696 - Fotografia de autor desconhecido)

domingo, 13 de agosto de 2017

Carta a João Oliveira e Costa


Quando aceitei o seu pedido de amizade no Facebook estava a lembrar-me da entrevista que lhe fiz para a «Gazeta das Caldas» a propósito do seu livro «O império dos pardais». Nunca esperei que minutos passados caísse no meu Facebook uma chuva de tretas saídas não da sua Universidade mas da Faculdade de História da Rabicha, ali a Campolide, lugar onde a História é falsificada. Para além das tretas custou-me muito ver que em alguns comentários aparece a expressão «Carrega Benfica» que é uma cópia mentirosa, repugnante e mal feita de uma frase  do treinador Joseph Szabo (há quem escreva José Sezabo) dirigida a Fernando Peyroteo. Vem na página 85 do livro «Memórias de Peyroteo» e a sua expressão integral está na frase - «Não esquecer principal papel dê avançado-centro: Carega Maria!! (Compreenda-se atirar ao golo)» O comentário entre parêntesis é do autor do livro, Fernando Peyroteo.
Por favor arranje maneira de me desligar desta «amizade» no Facebook que não me interessa, só me desgasta  e onde entrei por engano. Tenho 66 anos de idade, nasci em 1951 e já não tenho paciência para muitas coisas, uma delas é este conjunto de tretas que me entrou assim tão de repente pelo ecran dentro. Para si não terá qualquer importância pois amigos não lhe faltarão e a mim faz-me diferença. Este friso de atletas do SLB mostra entre outras coisas que o gesto era transversal a todos os clubes grandes e até a alguns mais pequenos como o Casa Pia. O senhor que é especialista em História percebe muito bem que a matriz da época é muito importante para perceber um gesto. Não podemos olhar para coisas e pessoas dos anos 30 com os olhos de 2017. Fico à espera da supressão deste equívoco. Por favor. Espero que não me desiluda porque no Facebook não posso (mesmo!) ser seu amigo. 

(Vinte Linhas 1697)