terça-feira, 2 de junho de 2026

A PRAIA de António Manuel Venda

António Manuel Venda - A PRAIA (poesia)

António Manuel Venda (n.1968) junta neste seu sexto livro de poesia 18 poemas que ocupam 88 páginas. A edição é de «On y va», a foto de Maria Ramires e o grafismo de João Paulo Fidalgo. O ponto de partida é o poema «a praia» que, como qualquer poema digno desse nome e desde sempre ao longo da História, se articula entre a canção e a reflexão; neste caso uma canção triste entre lágrimas e sangue pisado. «Isto não é para estas urgências» foi a frase diabólica pronunciada por alguém com maldade de guichet e para quem a palavra «humanidade» é um mistério e uma coisa distante do seu reduzido horizonte. Não por acaso o livro é dedicado à memória do pai e da mãe do autor, ela que foi «abandonada pelo Estado Português e pelas suas Instituições». No início do livro surge uma citação de Piedad Bonnett «Deitaram sal sobre os meus olhos». Trata-se do sal das lágrimas do homem que foi menino e esteve com a avó materna numa feira onde homens de olhos vendados tentavam partir panelas e lá dentro podia haver água ou um pombo; hoje há um carro funerário onde o homem que foi menino vê uma urna a caminho do cemitério local mas essa urna parece uma panela de barro de onde pode fugir um pombo pronto a voar. São dezoito poemas cada um com a sua particular oficina e resultado. O primeiro e o último do conjunto são o pranto e a lamentação da morte de quem deu a vida ao autor. Não se trata de um caso particular, pelo contrário estes poemas não passam ao lado de ninguém. Perante eles não se consegue ficar indiferente. Nestes poemas, de modo límpido, incisivo e eficaz, junta-se de novo tudo o que a morte separou. JCF

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

BALEEIROS EM TERRA de Sidónio Bettencourt

Sidónio Bettencourt - BALEEIROS EM TERRA

Sidónio Bettencourt (n.1955) é natural dos Arrifes (São Miguel) mas tem raízes no Pico como se lê na dedicatória: «Ao avô Manuel Moniz da Papuda, Aos baleeiros, À minha família, Ao Povo das Lajes do Pico». O livro é editado pelo Instituto Açoriano de Cultura com apoio da Direcção Regional dos Assuntos Culturais e da Câmara Municipal das Lajes do Pico, capa de Raúl Resendes, design de Angelina Caixeiro, revisão Margarida Vitória Fonseca, aguarela de Ferdinand Bouton, fotos de Museu dos Baleeiros, família de Carlos Cordeiro, Aurélio Machado, Ermelindo Ávila, Helder Silveira, João Melo, Manuel Moniz Bettencourt, Márcia Olival da Rosa, Raúl Resendes, Sérgio Ávila, António Sena e Kai-Uwe Franz. O livro de 63 páginas é o mais recente de Sidónio Bettencourt depois de «Deserto de todas as chuvas» e «Já não vem ninguém» (autor) e de «A balada das baleias» e  «Açores – o poema da luz» (co-autor). A qualidade e a quantidade das fotografias dão ao volume o estatuto de fotobiográfico. A vida das baleias e dos baleeiros perdura há muito tempo na Literatura; por exemplo Bernard Wolf, António Tabucchi, Trevor Housby, Vitorino Nemésio, Raul Brandão, Herman Melville, Manuel Greaves, Florêncio Terra, Rodrigo Guerra e Dias de Melo com os seus «Pedras Negras», «Mar Rubro», «Mar pela Proa», «Vida Vivida em Terra de Baleeiros» ou «Memória das Gentes». A página 53 afirma: «Morrem os baleeiros mas fica a sua cultura, a sua ética, os seus rituais e a sua mentalidade». A última baleia foi capturada em 1987 e em 21 de Agosto de 1994 o autor regista: «Isto que nós estamos a viver neste momento a bordo de uma canoa baleeira – o Ester – não vem descrito nos livros. Pancada bem forte; chuva, mar, muito vento e o corpo é só água… Tudo tão cinzento, cinzento quase breu. Está tanto nevoeiro, tanto mar que tenho dificuldade em gravar um bocadinho desta chuva terrível e a ilha praticamente desapareceu. A linha do horizonte está aqui a meia dúzia de metros.» Afinal esta reportagem de rádio traduzida em livro vem provar que o jornalista é o historiador do quotidiano. JCF        


quarta-feira, 27 de maio de 2026

"Contributo para o movimento reorganizativo do Proletariado" de Vidaul Ferreira


Vidaul Ferreira

Contributo para o movimento reorganizativo do Proletariado

Vidaul (Froes) Ferreira (n.1948) veio ao Mundo no início da NAKBA na Palestina com o assassinato do diplomata sueco enviado especial da ONU e o massacre de Der Iassine pelos grupos terroristas Stern, Irgun e Lehi além da entrada em vigor da Declaração Universal dos Direitos do Homem. O livro de 73 páginas (Editora Libertação, design e paginação de João Aldeia) é um depoimento comovido que começa com os primeiros passos do autor: «a minha meninice foi passada em Angola; nasci em Vila Franca de Xira mas fui para lá com três anos e regressei com quase treze em meados de 1961. Assisti a acontecimentos que me impressionaram muito. Regressámos a Portugal por decisão de meus pais quando começou abertamente a guerra colonial em Angola». O texto recorda a fundação do MRPP: «A reunião teve lugar em Benfica no fim de semana de 18 de Setembro de 1970 em casa de Maria José e Filipe Rosas; dormimos lá duas noites, a reunião decorreu de sexta à tarde até domingo à noite. Foi ali decidido o nome definidor Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado MRPP». Há uma nota final sobre o tempo actual ao tempo da escrita do livro – 2018: «Entre socialismo e capitalismo mais de noventa por cento da Humanidade escolhe o socialismo; o socialismo é uma necessidade histórica». Além de Vidaul Ferreira (ele mesmo) e de figuras da política e da cultura como Saldanha Sanches, Vítor Dias, Paula Godinho ou Amadeu Lopes Sabino, as páginas do livro recordam alunos da Escola Comercial e Industrial de Vila Franca de Xira como Álvaro Monteiro Rodrigues Pato, José Carlos Pereira Lilaia, José do Carmo Francisco e Horácio José Cecílio Rufino que, mesmo morto no Registo Civil, continua vivo no coração dos rapazes da nossa turma. JCF   


segunda-feira, 25 de maio de 2026

"ALBUFEIRA Histórias da Nossa Gente", 25 histórias de Ana Sofia Brito

 

Ana Sofia Brito

ALBUFEIRA Histórias da Nossa Gente - 25 histórias  

O grande ponto de partida deste grupo de 25 histórias que ocupam um livro de 111 páginas (Editora On y va, apoio da Câmara Municipal de Albufeira, ilustrações de Guilherme Limão, grafismo e paginação de João Paulo Fidalgo, foto da autora de Daniel Azevedo) está na página 6: «Se queremos saber para onde vamos, temos de saber de onde viemos». A autora é licenciada em Letras, jornalista, actriz e malabarista e este é o seu quinto livro publicado. Sendo bisneta, neta, filha, amiga, mãe, prima e tia de gente albufeirense, Ana Sofia Brito escreve sobre pessoas mas, ao mesmo tempo, faz uma declaração de amor à sua cidade – sua luz, sua beleza, seu cheiro, suas ruas. No meio das 25 histórias com gente de Albufeira lá aparece um holandês: «O holandês do Café Sul tinha a mania de que era o dono da vila e de que tinha chegado para pôr ordem no chiqueiro, como ele dizia. Não sei onde é que raio aquele estúpido aprendeu a palavra chiqueiro mas andava sempre com ela na boca quando era para se referir às coisas que lhe desagradavam em Albufeira». A banda sonora deste livro pode ter Toots Hibbert, Gregory Isaacs, Bob Marley ou Peyter Tosh e está na página 85. Citando uma das histórias do livro (Uma barraca na feira) podemos concluir que a vida é feita de lágrimas e de sangue pisado mas pelo meio surge um tempo de humor: «A bem dizer, aquilo era uma barraca de meninas, pronto. Os homens assomavam-se a fazer de conta que compravam pão com banha mas a banha ali era outra». Se não existisse já um livro com esse título, este poderia chamar-se «Um reino maravilhoso» não no sentido de maravilha mas de encanto, de amor, de luminosidade, de oração profana que procura e consegue juntar de novo tudo o que foi separado pela Morte e pelo esquecimento. As ilustrações de Guilherme Limão fazem deste livro um álbum, uma bela fotobiografia de um tempo e de um lugar. JCF        


segunda-feira, 4 de maio de 2026

PERGULHO – OS TÚMULOS DA MEMÓRIA - de Luís Pequito

 

Luís Pequito

PERGULHO – OS TÚMULOS DA MEMÓRIA

As dezanove fotografias que integram o corpo deste livro de 93 páginas escrito por Luís Pequito (n.1966) podem levar o leitor a considerar este trabalho como uma fotobiografia. A edição e o grafismo são do Município de Proença-a-Nova e a nota de contracapa é de João Lobo. O livro organiza-se em seis blocos de texto: O ti Chico Boieiro, O ti Manuel Galo, O Domingos da Murteirinha, O Manuel Isaías, O Padre Armando e Histórias à lareira. Mesmo quando parte de um retrato pessoal, há sempre o cuidado por parte do autor de o envolver nas coordenadas do tempo e do espaço geral. Neste livro a paisagem não é mais importante do que o povoamento. Na linha de Liev Tolstói (1828-1910) para quem «a aldeia é a base para chegar ao Mundo», estas narrativas cruzam o particular e o geral, o público e o privado, o real e o simbólico, a crença e a dúvida, a luz e a sombra. A página 29 do livro adapta uma quadra de Rosalia de Castro (1837-1885) trocando a palavra Galiza por Pergulho: «Este parte, aquele parte/E todos, todos se vão/Pergulho ficas sem homens/Que possam cortar teu pão». Embora não seja portador de carteira profissional de jornalista, o autor leva a cabo neste livro uma reportagem sentimental não só do tempo mas também do espaço do Pergulho. Como o Jornalismo é uma disciplina da Literatura, este livro é, na verdade, (tal como um poema, uma crónica, um conto, uma novela, um romance, um ensaio ou uma peça de teatro) a possibilidade alcançada de ligar de novo tudo o que a Morte separou. JCF


terça-feira, 14 de abril de 2026

O PRIMEIRO MARQUÊS DE ALORNA RESTAURADOR DO ESTADO PORTUGUÊS DA ÍNDIA (1744-1750) - Filipe do Carmo Francisco


FILIPE DO CARMO FRANCISCO

O PRIMEIRO MARQUÊS DE ALORNA RESTAURADOR DO ESTADO PORTUGUÊS DA ÍNDIA (1744-1750)

Com o subtítulo de «Guerra e Cultura na formação de uma imagem pública setecentista», este livro de 300 páginas inclui no seu conjunto várias ilustrações a cores (nove) e a preto e branco (uma) além de (da página 202 à 300) várias notas, anexo documental, bibliografia e índice remissivo. Onze quadros e sete mapas completam o conjunto. Da página 16 à 201 surge o texto do ensaio. O autor (n.1981) abre o livro com uma frase exemplar: «Clio, a Musa da História tem na mão um papiro para lembrar que o principal modo de registo da Memória é a palavra escrita». Por outras palavras - nem lenda nem fantasia. D. Pedro Miguel de Almeida Portugal (1688-1756), Conde de Assumar (1733), Marquês de Castelo Novo (1744) e Marquês de Alona (1748) casou em 1715 com D. Maria de Lencastre filha dos Condes de Vila Nova de Portimão e foi mais tarde Vice Rei de Índia Portuguesa entre 1744 e 1750. Desempenhou vários cargos de relevo tanto em termos militares como políticos. (Editora Tribuna da História, Patrocínio Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e Comissão Portuguesa de História Militar, Editor Pedro de Avillez,Capa Maia Moura Design, Revisão Manuel Amaral). JCF       


segunda-feira, 23 de março de 2026

MODERN BUILDINGS IN BLACKHEATH AND GREENWICH LONDON 1950-2000 (de Ana Francisco Sutherland)


Ana Francisco Sutherland

MODERN BUILDINGS IN BLACKHEATH AND GREENWICH LONDON 1950-2000

Um dos aspectos mais curiosos deste livro de 416 páginas (Editora Park Books – Zurich) é que a jovem autora nasceu em Lisboa (1978) e os arquitectos cujo trabalho está plasmado neste inventário qualificado de dois bairros londrinos (rua a rua, casa a casa) formando uma espécie de «bilhete de identidade» de cada projecto e de cada realização, são também, em grande parte, emigrantes – vieram de países como Iraque, Índia, Jugoslávia, Itália, Alemanha e na maioria do Reino Unido entre ingleses e escoceses. A identificação de cada casa envolve: morada, arquitecto autor do projecto, pessoa ou promotor imobiliário que fez a encomenda, ano da construção e prémios atribuídos. Quinze das casas estudadas foram desenhadas pelo arquitecto para nela viver com a sua família. Ao mesmo tempo que fazia o trabalho de campo, a autora pôde consultar os arquivos do RIBA Royal Institute of British Architects, fundado em 1834 e que integra quase toda a memória da arquitectura inglesa. O trabalho demorou sete anos pois incluiu entrevistas a arquitectos e seus familiares, promotores imobiliários, consulta de arquivos municipais e entrevistas com historiadores. Não por acaso o prefácio é assinado por Neil Bingham, reputado historiador ligado à Royal Academy of Arts, ao RIBA e responsável no Victoria anda Albert Museum pela curadoria da vertente histórica da Arquitectura. Além das casas estudadas em pormenor, o livro indica em três página outros edifícios com interesse na zona de Blackheath e de Greenwich. Para além do apoio do mecenato (John Payne) colaboraram de modo activo no livro (entre outras entidades e pessoas) The Blackheath Society, The Greenwich Society e o Wates Family Enterprise Trust. A autora estreou-se em livro no ano de 2003 com «Personagens para um lugar memorável» (Editora Black Sun - Lisboa) um livro de contos curtos por si ilustrados. Assumiu desde Janeiro de 2026 a presidência da The Blackheath Society. Seguindo à risca as indicações de Tolstoi («Se queres ser universal, escreve sobre a tua aldeia») a autora juntou os desenhos, mapas e plantas à escala do marido (Ian Sutherland), as fotografias do filho Tomás e o trabalho de relações públicas do outro filho Lucas. Tal como num poema, este livro foi escrito para juntar de novo tudo o que a Morte separou. JCF 


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

PREGOS DE CRUZ (Emanuel Jorge Botelho)

 


Emanuel Jorge Botelho (n.1950) estreou-se em livro no ano de 1981 e este seu mais recente volume (2025) tem 41 páginas - Editora Averno, capa Inês Dias, grafismo Pedro Santos. Já em 1986 a Revista «Seara Nova» tinha chamado a atenção para a importância da sua poesia (ao tempo) em afirmação. É o que se pode chamar um corredor de fundo. Claro que as coisas não são assim tão simples; basta pensar nos casos de Cesário Verde (1855-1886) ou de Charles Bizet (1838-1875) para perceber que não são apenas os maratonistas que ficam na posteridade das letras e das artes. Os jovens que morrem cedo também ficam num panteão de qualidade e memória. Voltando ao livro cujo título lembra a ideia da morte, notamos as citações na página 5 – Malcolm de Chazal, Marina Tsvietaieva e Paul Celan. O poema da página 7 abre o livro e refere «talvez assim me safe da purga com que a alma/se livra do ardil da incerteza/e o silêncio venha, sem ser visto/repor a verdade que há na morte». A chave pode estar na página 13 («cada poema é um sudário da alma») ou na página 20: «fazes o quê com o medo que te resta?». Perante o inevitável da morte só o amor pode responder: «é tudo muito simples;/digo meu amor/e tudo sara no meu corpo/o meu medo sabe de cor o teu nome/e gosta da tua voz.» O livro apresenta ainda epígrafes de E.M. Cioran, Yannis Ritsos, José Sebag, Paul Celan e Artaud. JCF

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Vergílio Alberto Vieira, novo diário...

 


A CASA DOS EXPURGOS

Vergílio Alberto Vieira (n.1950) já publicou seis diários: «Destino de Orfeu» (1987), «A invenção do adeus» (1994), «Minha mulher a solidão» (2013), «Minha ex-mulher a solidão» (2020), «Rei exilado» (2022) e «Um passo antes da morte» (2024). Este livro de 285 páginas (Editora Rosmaninho, prefácio Fabíola Mourthé, capa Luís d´Orey) corresponde ao ano de 2024 e está organizado não por meses mas por signos do Zodíaco. Herdeiro de uma tradição que vem de Kafka, Virgínia Woolf, Gide, Stendhal, Miguel Torga, José Saramago, Vergílio Ferreira, Fernando Aires, João Bigote Chorão, Luiz Pacheco, Cristóvão Aguiar, Luiza Dacosta e Irene Lisboa (entre outros autores) Vergílio Alberto Vieira utiliza na escrita deste livro ironia, humor, sabedoria e angústia. Apenas quatro notas para referenciar estes pontos de interesse. Sobre os partidos políticos portugueses: «Partido Social Democrata – Livra-te dos Macabeus, Partido Socialista – Consagração dos Levitas, CHEGA – Os cavaleiros do Apocalypse, Bloco de Esquerda – Cura de um hidrópico ao sábado, Iniciativa Liberal – Parábola da figueira estéril, Centro Democrático Social – Os desac/Atos dos Apóstolos, Partido Comunista Português – O fermento dos fariseus, LIVRE – Lamentação sobre o rei de Tiro, Partido Popular Monárquico – Promessa de Restauração (Miqueias)». Sobre Graham Green: «O Cristianismo é uma mulher que leva a sopa aos indigentes». Sobre o Padre José Felicidade Alves (Vale da Quinta, 1925-1998); «Felicidade Alves foi no seu tempo pedra angular dessa Jerusalém em cujo alicerce assentam a sabedoria espiritual, o altruísmo da liberdade, símbolos da humanidade». Sobre a Palestina: «Deserdado do seu destino, o povo palestiniano deixou de ser o rosto que nos olha para passar a ser o rosto desfigurado da desumanidade que nos olha: punido sem causa, castigado sem culpabilidade». JCF  

      

domingo, 7 de dezembro de 2025

CÂNTICOS DO CÂNTICO (Organização de RUY VENTURA)


800 anos depois do «Cântico das Criaturas» de São Francisco de Assis (1182-1226) escrito no século XIII e aqui reproduzido numa versão de Ruy Ventura que também organiza o volume e assina o posfácio, este livro de 87 páginas integra quarenta poemas dos seguintes autores: Abel Inácio Quitaia, Alexandre Faria, Álvaro Valverde, Amadeu Baptista, António Cândido Franco, Aurelino Costa, Carlos Poças Falcão, Flor Campino, Heleno Godoy, Joana Ruas, João Rasteiro, Joaquim Félix de Carvalho, Jorge Teixeira, José de Jesus, José do Carmo Francisco, José Kozer, José Luís Peixoto, José Mário Silva, José Rui Teixeira, Leonardo Almeida Filho, Luís Aguiar, Luís Leal, Luísa Costa Macedo, Márcio Catunda, Marco Daniel Duarte, Maria Guadalupe Alexandre, Maria José Diegues de Oliveira, Maria José Mures, Maria Sarmento, Maria Teresa Maia Gonzalez, Natália Carbajosa Palmeiro, Nuno Matos Duarte, Ozias Filho, Rafael Angel Garcia Lozano, Ronaldo Cagiano, Rui Almeida, Ruy Ventura, Vanessa S. Dias, Verónica Benedito e Victor Oliveira Mateus. Fixemos uma advertência do organizador: «O chamado Cântico das Criaturas não deve ser entendido como texto isolado, mesmo sendo um dos cumes mais altos da capacidade expressiva desse homem descalço, roto e remendado que recorria à animação gestual e a palavras de fogo quando se tratava de arrastar os seus semelhantes às alturas celestes». A edição é da OFFICIUM LECTIONIS, teve o apoio da Província Portuguesa da Ordem Franciscana, de Frei Hermínio Araújo e é dedicada à memória do Papa Francisco (1936-2025)cuja Lettera ai Poeti abre o volume. JCF