terça-feira, 29 de setembro de 2026

MISS SHERCLIFF NO PAÍS DE SALAZAR - novo livro de Wilton Fonseca Gonçalo Pereira Rosa

 


MISS SHERCLIFF NO PAÍS DE SALAZAR -
novo livro de Wilton Fonseca Gonçalo Pereira Rosa

Com o subtítulo de «As aventuras de uma jornalista inglesa em tempos de guerra e de paz» este livro de 329 páginas (Editora Âncora, prefácio de Joaquim Letria, capa de Sofia Travassos) é a biografia de Josephine Alfreda Lilly Shercliff (1902-1985), una mulher a quem Salazar chamava «a senhora inglesa» e Mário Soares e Raul Rego chamavam «a nossa miss». Na página 12 há um resumo: «Esteve nas tricheiras da Guerra Civil Espanhola, visitou a Linha Maginot que deveria ter contido os exércitos de Hitler, fugiu à pressa da França ocupada e chegou um dia a Lisboa com a intenção de de emigrar para os Estados Unidos. Ficou entre hordas de refugiados e nunca mais partiu». Um aspecto curioso do livro é que a jornalista (a quem ofereceram em Inglaterra aos seis anos de idade a assinatura de um jornal) esteve sempre atenta aos momentos políticos de Portugal e em 1963 (por exemplo) refere as prisões de Alexandre Cabral (contista e estudioso de Camilo Castelo Branco) Alberto Ferreira («Seara Nova») e Alves Redol (vencedor do Prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências). No mesmo ano a sua atenção incidiu sobre outras prisões: Pedro Alvim («Diário de Lisboa»), Fonseca e Costa (cineasta), Vasco Vieira de Almeida (quadro superior do Banco Português do Atlântico), Vasco Granja (crítico de cinema), Rogério Paulo (actor) e Miguel Torga (escritor e médico). Na página 150 recorda-se um diálogo em Paria entre um jornalista local e o embaixador Marcelo Matias: «Quando é que os portugueses vão deixar Goa? – Não a vamos deixar». Mais do que o percurso pessoal e profissional de Miss Shercliff este é, ao mesmo tempo, um grande inventário do tempo político português que lhe foi dado viver entre 1940 e 1985. JCF     


domingo, 20 de setembro de 2026

Simon Critchley - EM QUE PENSAMOS QUANDO PENSAMOS EM FUTEBOL

 

Simon Critchley - EM QUE PENSAMOS QUANDO PENSAMOS EM FUTEBOL

Depois de ter publicado na mesma editora «O livro dos filósofos mortos» Simon Critchley (n.1960) apesar de ser professor de filosofia abre o seu livro sobre Futebol com as palavras de um jogador (Johan Cruyff) que afirmou «jogar futebol é muito simples mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que existe». Mais tarde disse: «Nunca vi um saco de dinheiro marcar um golo». Declara o autor na página 31: «O futebol é a minha paixão de toda a vida, é uma da poucas coisas que se pode dizer que uniram esta vida e ligam às vidas de outros alguns que me estão próximos como o meu pai e o meu filho». O autor confessa não ser um neutro: «Toda a minha família veio do Liverpool e fui criado numa devoção fanática do Clube (Liverpool Football Club) e numa crença de que a minha equipa não era apenas muito boa mas que os seus fãs eram especiais e a sua cultuira única». Depois cita um artigo de 25-4-07 no qual Barney Ronay  afirma: «A maioria dos Clubes da Premiership tem as suas raízes numa igreja ou num pub local». Este livro está povoado por jogadores especiais – Zinedine Zidane, Roberto Baggio, Paolo Maldini, Thierry Henry, Andrea Pirlo, Andrés Inierts e não só. A palavra Futebol em si tem uma dupla inscrição tanto soccer usada nos EUA como football association usada no resto do Mundo apela para socius, termo latino que tem a ver com «livre associação de seres humanos». O autor manifesta-se agradecido a vários escritores que bem escreveram sobre Futebol: Eduardo Galeano, David Goldblatt, Paul Simpson, Uli Hesse, Simon Kuper, Jonathan Wilson, Barry Glendinning ou Barney Ronay já antes citado e que explica melhor a sua ideia: «Isto é um resposta à ideia tatcheriana de que não existe algo que se possa chamar sociedade». A páginas tantas aparecem saudades dos grandes treinadores do Liverpool: Billy Shankly, Joe Fagan, Roy Evans, Kenny Dalglish, Gerard Houlier, Rafa Benitez ou Bob Paisley. Conclusão possível:« O futebol não é apenas sobre vencer. Normalmente é sobre perder. Tem de ser». Edições 70, tradução Jorge Pereirinha Pires, capa Susana Villar, revisão Joaquim E. Oliveira. JCF


domingo, 13 de setembro de 2026

Em resumo 68 (Ruslam Botiev o artista de Alfama veio da Mongólia)

 


Em resumo 68

Ruslam Botiev o artista de Alfama veio da Mongólia

Lá pelos idos de 1982 o professor Jacinto do Prado Coelho (1920-1984) disse-me à porta do seu gabinete na Fundação Gulbenkian: «Você com os artistas não vi ter problemas mas tenha muito cuidado com os figurões!». Só muito mais tarde percebi que à volta dos artistas circulavam alguns figurões a tentar sacar o máximo fazendo um investimento mínimo. Conheci fulanos que obtinham das tipografias dois orçamentos para a publicação de um livro mas um tinha os dados correctos e o outro estava com valores em duplicado. O figurão dizia ao artista que pagava metade da despesa na tipografia mas quem pagava tudo era o artista. Porque a factura respeitava o orçamento original que o figurão tinha guardado na sua gaveta. Passava por benemérito mas era um explorador da boa-fé dos artistas. Um poeta esteve doze anos sem publicar e e embarcou nessa aventura porque sentia a falta de ver um livro seu na montra das livraria. Ruslam Botiev é outra coisa, é um artista. O desenho que fez a propósito da primeira crónica do meu livro «O passado é para sempre» (Editora On y va) é um trabalho notável sobre a Praça de São Marcos em Veneza, onde pela primeira vez na vida, vi «música» ao lado de café e de gelados na factura do famoso café Florian. Um dia no seu atelier frente à igreja de São João da Praça em Alfama disse-lhe que ele era uma pessoa especial. Sorriu e respondeu: «Espacial era o meu irmão que foi um dos cosmonautas da equipa de Yuri Gagarin. O irmão de Ruslam Botiev morreu há poucos anos com o COVID 19; já Yuri Gagarin viveu entre 1934 e 1968 mas ficou na História porque foi o primeiro homem a viajar no Espaço. Esta crónica é uma maneira modesta de dizer obrigado. A vida não é só feita de lágrimas e de sangue pisado; este desenho é uma maravilha e nasceu da leitura de uma das minhas crónicas. Já ganhei o dia.

José do Carmo Francisco

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

GUERRAS E PAZ de JOSÉ MANUEL JARA (segunda edição)


GUERRAS E PAZ de
JOSÉ MANUEL JARA (segunda edição)

Com o subtítulo de CARTAS POLÉMICAS, este livro de José Manuel Jara (n.1949) reúne em 126 páginas um conjunto de 103 cartas enviadas ao Director do Jornal «Público» de Lisboa com um arco temporal entre 14 de Abril de 1999 e 3 de Abril de 2026. (Editora Página a Página, capa de Afonso Santos, prefácio de José Goulão) . A página 17 reproduz uma página publicada no «Público» de 7 de Fevereiro de 2026 com uma reflexão sobre as diferenças entre censura e critérios editoriais. Nela o autor queixa-se de um problema «nas últimas semanas o catavento epistolar tem deixado passar com mais facilidade o que sopra da direita ou do centro- esquerda, não da esquerda». O prefácio assinala na página 8 os conflitos na Ucrânia, na Síria, no Afeganistão e na Líbia além da Venezuela, Cuba, Palestina e Irão, sublinhando o facto de «os poderes políticos e militares portugueses terem cedido a Base das Lajes à potência agressora de um país que tem relações normais com Portugal e que em nada ameaçou ou ameaça os portugueses». Na página 56 a carta lembra que o regime ucraniano implantado em Fevereiro de 2014 resultou de um golpe de Estado no qual os vencedores instalaram um regime hostil à população russófona no plano linguístico, político e racial». Em 1977 um aluno finalista de História da Universidade de Chicago perguntou ao escritor argentino Jorge Luís Borges «quem é Napoleão». Em 1979 um estudante da Universidade de Iwoa City perguntou à professora Ermelinda Galamba se «Namíbia e Líbia são a mesma coisa». Além de tudo o mais, este livro ajuda a responder a essas duas perguntas. JCF

terça-feira, 8 de setembro de 2026

OS NARCÓTICOS (Volume 2) - miscelânea de Camilo Castelo Branco

 


OS NARCÓTICOS (Volume 2) - miscelânea de Camilo Castelo Branco 

Na senda de outras miscelâneas como a anterior de Leitão de Andrada (1629) ou a posterior de Carlos de Oliveira (1971). a primeira como MISCELLANEA e a segunda como O APRENDIZ DE FEITICEIRO, este volume 2 de OS NARCÓTICOS de Camilo Castelo Branco tem 234 páginas, inclui Notas Bibliográficas, Históricas Críticas e Humorísticas e já teve desde 1882 várias reedições – 1920, 1958, 1993 e 2008. De uma carta escrita na Índia pela Marquesa de Távora aos filhos se pode ler: «Isto, meus filhos é um continuado desassossego; porque aqui não há paz que persista nem o Estado a tem mais, que com o rei do Canará e de Sonda porque nenhum destes é capaz de fazer guerra ao Marata». Na página 11 Camilo (ele mesmo) escreve « Os livreiros do Brasil operam as suas contrafacções movidos dum pensamento chão, correntio e singelo: roubar-nos. Eles não desejam definitivamente que os escritores portugueses desanimem e vão para o Brasil alistar-se em maltas que medrem no latrocínio: pelo contrário, ambicionam que a pobreza nos aguilhoe e force a escrever muito, para eles, como pregoeiros da nossa fecundidade, possam continuar a roubar-nos e encher-nos de edições e glórias transatlânticas. A glória! Que mais queremos nós?». Duzentos anos depois do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825) aqui está um livro especial como afinal são todos os deste notável autor. Editora Bonecos Rebeldes, capa de Fernando Martins, revisão de António Bárcia. JCF  

       

terça-feira, 1 de setembro de 2026

FASTIGÍNIA de Tomé Pinheiro da Veiga

 

FASTIGÍNIA de Tomé Pinheiro da Veiga

Com edição, estudos, variantes e notas de Ernesto Rodrigues (n.1956), este livro de 752 páginas (Edição Letras Lavadas, capa Museu Diocesano de Valladolid) é o resultado de um trabalho de investigação que Ernesto Rodrigues dedicou desde 1988 à obra de Tomé Pinheiro da Veiga (1566-1656) - «mais de meia vida» nas palavras do próprio que completa a frase de modo esclarecedor: «foi um prazer». Este trabalho é uma segunda edição, revista e aumentada, da edição de 2011 que, por sua vez, celebrava o centenário da edição de Sampaio Bruno ainda com o título de «Fastigímia». Esta edição actual parte de 17 manuscritos – 13 em Portugal e os outros em Madrid, Paris, Londres e Bloomington (Indiana – EUA). Para Hernâni Cidade «Tomé Pinheiro da Veiga deve ser considerado como um dos maiores escritores do seu tempo» e para Graça Almeida Rodrigues este livro integra com outros (Arte de Furtar, Apólogos Dialogais, Os Ratos da Inquisição e Obras do Diabinho da Mão Furada) «uma literatura não conformista que apresenta uma crítica à administração e aos costumes da época».  Tomé Pinheiro da Veiga começa por uma advertência («Estas são as duas jóias que fazem Valladolid sem preço: muita liberdade e nenhuma inveja») e noutro ponto adverte o autor do livro: «Não vos ofereço, aqui, história senão retrato nem comédia aprazível senão pintura natural». São muitos os assuntos destes «retratos» em forma de carta ou crónica: o nascimento do rei espanhol em 1605, a religião, a política, a economia, a sociedade, os jogos, as festas, o lazer, o luxo, a ostentação, a gastronomia, as artes e as letras. Num país pequeno e pobre como o nosso onde quase tudo é mínimo e mesquinho é uma alegria saudar um livro grande que é, ao mesmo tempo, um grande livro. JCF 

      

terça-feira, 18 de agosto de 2026

“O PROCESSO” - novo livro de Orlando Raimundo

 


“O PROCESSO” -
novo livro de Orlando Raimundo

Dedicado â memória de Redondo Junior, jornalista e homem de teatro injustamente esquecido, este livro de Orlando Raimundo (1949-2026) tem 288 páginas e apresenta o subtítulo de «Tentativas de condicionamento da informação em Portugal». Entre as páginas 175 e 276 apresenta um parecer jurídico dos professores de Direito Jónatas Machado e Paulo Nogueira da Costa As restantes páginas são o estudo do caso que tentou decapitar um jornal de Santarém (O MIRANTE) a partir de uma decisão judicial que pretendia condenar o jornal a pagar uma indemnização milionária em 7-7-2015. Isto um pouco à maneira dos casos de crueldade mental dos anos sessenta do século vinte em que maridos dos EUA se queixavam das esposas que os obrigavam a lavar as mãos de dez em dez minutos. Mas aqui a crueldade era outra. A origem do caso etá no facto de O MIRANTE ter-se limitado a noticiar um facto de evidente interesse público – uma querela entre a Câmara Municipal de Santarém e um advogado que lhe exigia meio milhão de euros de avenças não pagas. Vejamos a página 95 do livro: «Sete anos passados sobre o início da saga kafkiana, a 17 de Julho de 2017 o Supremo Tribunal de Justiça voltou a dar razão aos jornalistas Joaquim Emídio e Alberto Bastos reconfirmando a sentença do Tribunal da Relação de Évora que os absolveu». Presidiu à sessão o conselheiro Lopes do Rego e convém referir os nomes dos desembargadores de Évora – Tomé Almeida Ramião, José Tomé de Carvalho e Mário Branco Coelho. Tantos anos depois de Raul Brandão ter escrito sobre o caso de Gomes Freire de Andrade (um dos mártires da Pátria) «os tiranos e os déspotas sempre tiveram os seus desembargadores» foi um conselheiro de nome Paulo Távora Victor que assinou com António Joaquim Piçarra o acórdão do Supremo que determina a vitória da Justiça sobre o Direito. O Marquês de Pombal procurou dizimar a família Távora mas a derrota foi um acidente de percurso – a Vida venceu a Morte. A nota da contracapa assinada por António Valdemar conclui: «Esta luta frontal pelo direito à informação, ao fim de sete anos, acabou reconhecida pelo Supremo Tribunal de Justiça. Fica a ser uma referência na história do Jornalismo». A moral da história pode estar no provérbio arménio que diz «Dai um cavalo a quem estiver disposto a dizer a verdade necessitará dele pêra fugir quando a tiver dito». (Editora Rosmaninho – Santarém) JCF  


domingo, 16 de agosto de 2026

"CANTAREI DEPOIS DA MORTE" - RAOUL FOLLEREAU

 


CANTAREI DEPOIS DA MORTE - RAOUL FOLLEREAU

Raoul Follerreau (1903-1977) estava destinado ao anonimato pois nasceu numa família de industriais mas afinal toda a sua vida foi dominada por conferências, apelos e denúncias sobre os problemas dos mais pobres dos pobres e dos mais doentes dos doentes – os leprosos. Nas praças, nas igrejas e nos estádios, ele dirigiu-se a todos – jovens, chefes de Estado, Papas – ninguém ficou de fora. Desde 1918 que levantou a sua voz mas foi em 1933 que aconteceram dois encontros decisivos da sua vida – um com o Padre Carlos de Foucauld e outro com os leprosos de África. Casado com Madalena Boudou desde 1925, escreveu em 1949 o livro «Bomba atómica ou Caridade?» que vendeu seis milhões de cópias e fundou o Dia Mundial dos Leprosos em 1954. A sua luta tornou-o conhecido em todo o Mundo. Este livro de 65 páginas com o subtítulo de «Textos Poéticos» (Edição APARF - Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau) abre com uma pergunta («Se Cristo, amanhã, bater à tua porta, reconhecê-Lo-ás?») continua com um pedido («Senhor, nunca deixes de nos amar!») e termina com uma certeza: «Já não passarei de pó, mas farei/crescer a erva e desabrochar a flor./Já não passarei de pó, mas cantarei/ nos vossos peitos./Estarei vivo na vossa alegria,/na vossa esperança divina, /no vosso entusiasmo deslumbrante, /na vossa cólera trovejante./O meu coração exausto/viverá na eternidade dos mundos.» JCF

 

sábado, 11 de julho de 2026

SANTO CRISTO ÁLBUM DE EMOÇÕES E ROTEIRO DE RAZÕES - José Andrade


SANTO CRISTO ÁLBUM DE EMOÇÕES E ROTEIRO DE RAZÕES - José Andrade

Este livro de 114 páginas (Edição Letras Lavadas) integra uma dupla inscrição: é um dicionário actual e é uma história passada. Dito de outra maneira: apresenta 32 verbetes que vão de Andor e Caloura a Tesouro e Vigília e também uma separata histórica comemorativa dos 250 anos da Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Cada entrada de José Andrade tem a correspondente imagem. Vem a propósito recordar os nomes dos fotógrafos convocados – José António Rodrigues, Mário Pereira, Arturo Mari e Orlando Medeiros. A separata inclui o texto do voto de congratulação da Assembleia Regional em Abril de 2015, os primeiros Estatutos em Abril de 1765, os 184 primeiros irmãos, os 8 últimos provedores e os 338 actuais irmãos à data de 2015. Este livro foi editado em Abril de 2015 mas reimpresso em 2017, 2018 e 2020. A página 40 integra a partitura do Hino do Senhor Santo Cristo dos Milagres e como convite à leitura fica a citação da letra: «Glória a Cristo Jesus, glória eterna/Nosso Rei, nossa firme esperança/soberano que os mundos governa/e as nações recebem por herança/Com o manto e o ceptro irrisório/sois de espinhos cruéis coroado/Rei da dor, uma vez no Pretório/Rei de amor, para sempre adorado/Combatendo por vossa Bandeira/que no peito trazemos erguida/alcançamos a paz verdadeira/e a vitória nas lutas da vida/Só a Vós com inteira obediência/serviremos com firme vontade/porque em Vós há justiça e clemência/porque em voz resplandece a verdade/ Concedei-nos por graça divina/que sejamos um povo de eleitos/firmes crentes na Vossa doutrina/cumpridores dos Vossos preceitos». Mais do que um livro, esta é uma notável fotobiografia que junta de modo feliz emoção e razão. JCF     


quinta-feira, 9 de julho de 2026

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO -Fascículos de Poesia


NOTÍCIAS DO BLOQUEIO -Fascículos de Poesia

Quase setenta anos depois do primeiro fascículo destas «Folhas de Poesia» publicados na cidade do Porto por um núcleo fundador que englobava Egito Gonçalves, Daniel Filipe, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão, António Rebordão Navarro e Ernâni Melo Viana, a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto resolveu em boa hora publicar   em edição fac-similada os nove fascículos publicados entre 1957 e 1962. Segundo o ensaio de António Carlos Cortez «as Notícias do Bloqueio albergaram nas suas páginas múltiplas vozes, nacionais e estrangeiras, sendo que, como confirma cada número, mais do que poetas de poemas se tratava». Num volume que pode ser lido como o décimo da série surgem poemas de autores de hoje, a saber: Ivo Machado, Carlos Leite, Inês Lourenço, José Manuel Mendes, José Viale Moutinho, Manuel Silva-Terra, Amadeu Baptista, Francisco Duarte Mangas, Maria Antónia Bastos, José da Cruz Santos, José Carlos Costa Marques, José Manuel Teixeira da Silva, Júlio Roldão, João Pedro Mésseder, Alexandre Teixeira Mandes, Eugénia Soares Lopes, Augusto Baptista, Ricardo Guimarães, Domingos Lobo, A. Dasilva O., António Carlos Cortez, Luís Filipe Castro Mendes, Aurelino Costa, José Queiroga e José Éfe. Este conjunto de poemas sobre Gaza (em 2025) faz a ligação ao poema sobre Hiroxima (em 1945) de António Rebordão Navarro: «quero que todos saibam da morte que durou 200 dias/ quero que a lembrem com o coração e os músculos/quero que no seio guardem o seu nome/Aikichi Kuboyama». O grafismo, os desenhos, as xilogravuras e o linóleo são de Álvaro A. Portugal, Augusto Gomes, Eduardo Luiz, Altino Maia, Querubim Lapa, Rui Knopfli, António Bronze, Domingos Pinho, Charles Withe, Francisco Relógio e Ana Biscaia. JCF