António Manuel Venda - A PRAIA (poesia)
António Manuel Venda (n.1968) junta neste seu sexto livro de
poesia 18 poemas que ocupam 88 páginas. A edição é de «On y va», a foto de
Maria Ramires e o grafismo de João Paulo Fidalgo. O ponto de partida é o poema
«a praia» que, como qualquer poema digno desse nome e desde sempre ao longo da
História, se articula entre a canção e a reflexão; neste caso uma canção triste
entre lágrimas e sangue pisado. «Isto não é para estas urgências» foi a frase
diabólica pronunciada por alguém com maldade de guichet e para quem a palavra
«humanidade» é um mistério e uma coisa distante do seu reduzido horizonte. Não
por acaso o livro é dedicado à memória do pai e da mãe do autor, ela que foi
«abandonada pelo Estado Português e pelas suas Instituições». No início do
livro surge uma citação de Piedad Bonnett «Deitaram sal sobre os meus olhos».
Trata-se do sal das lágrimas do homem que foi menino e esteve com a avó materna
numa feira onde homens de olhos vendados tentavam partir panelas e lá dentro
podia haver água ou um pombo; hoje há um carro funerário onde o homem que foi
menino vê uma urna a caminho do cemitério local mas essa urna parece uma panela
de barro de onde pode fugir um pombo pronto a voar. São dezoito poemas cada um
com a sua particular oficina e resultado. O primeiro e o último do conjunto são
o pranto e a lamentação da morte de quem deu a vida ao autor. Não se trata de
um caso particular, pelo contrário estes poemas não passam ao lado de ninguém.
Perante eles não se consegue ficar indiferente. Nestes poemas, de modo límpido,
incisivo e eficaz, junta-se de novo tudo o que a morte separou. JCF







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