Rui Sousa
O essencial sobre Luiz
Pacheco
Devo começar por referir circunstâncias que me ligam a Luiz
Pacheco: conheci-o em 1967 e convivi com ele até 2008, (nasceu em 1925), fui o
assinante nº 186 do seu famoso ficheiro e recebia os livros editados pela
CONTRAPONTO antes de eles irem para as livrarias, visitei-o no Montijo, em
Lisboa e em Palmela, entrevistei-o duas vezes para o Jornal semanário OMIRANTE
de Santarém de cuja redacção fiz parte entre 1997 e 2001. Sou por essas razões
um interessado na divulgação do seu trabalho ou de estudos sobre a sua obra e a
sua vida. Mas não aceito tudo nem posso aplaudir tudo. Não me refiro à página
15 onde a palavra «assimetrias» aparece duas vezes no mesmo período, não me
refiro às palavras como recepção, activo, excepcional, aspectos, directamente,
recepção, percepção e muitas outras aqui dizimadas pelo aborto ortográfico. Não
me refiro à página 42 onde surge a palavra sarja por sorja (três vezes) nem à
página 9 onde o nome é Luís embora na página 15 apareça Luiz, não me refiro
ainda aos nomes dos meses em caixa baixa, não me refiro à indicação de que Luiz
Pacheco era filho único (terá perdido uma irmã ainda criança) nem sequer ao
aborto ortográfico que dizima um texto de Luiz Pacheco – na página 77 a palavra
aspecto sem «c» é impossível o autor ter utilizado antes de 1973, data da
segunda edição de «O Libertino passeia por Braga». Apesar da ideia-chave de
síntese, este livro de 122 páginas de Rui Sousa (Imprensa Nacional) parte dos
contributos de Ana da Silva, João Pedro George e António Cândido Franco mas não
pretende confundir-se com uma biografia. Além de escritor, Luiz Pacheco foi
editor; a sua CONTRAPONTO editou autores portugueses como Raul Leal, Manuel
Laranjeira, Mário Cesariny, Vergílio Ferreira, Manuel de Lima, António Maria
Lisboa, Natália Correia e Herberto
Helder ou estrangeiros como Eugène Ionesco, Luigi Pirandello, Karl Jaspers,
Anton Tchekov, Dostoievski e Marquês de Sade. Um livro valioso e oportuno,
prejudicado pelo aborto ortográfico de 1990 que aqui surge na fronteira do
delírio e da alucinação. JCF









