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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

António Barreto sem emenda ou «o número absurdo de mortos»


António Barreto escreve no «Diário de Notícias» de 10-9-2017 na sua página «Sem emenda» esta frase miserável: «Os incêndios florestais de 2017 especialmente de Pedrógão Grande, entraram para a história.» Considero a frase miserável porque é demagógica, é parcial, é mentirosa, é omissa em relação às coordenadas e às circunstâncias. Este mesmo António Barreto fica numa nota de rodapé da História de Portugal porque ajudou a rebentar com a Reforma Agrária tal como Maldonado Gonelha ajudou a «partir a espinha à Intersindical». Eles foram dois «peões de brega» numa «tourada» em que o «inteligente» foi Mário Soares. Como inteligente, foi dele que partiu a indicação de música para as «faenas»; não uma música qualquer mas uma música muito triste como a dos «robertos» ou das «cégadas».
Em 2003 morreram 18 pessoas nos fogos do concelho de Vila de Rei, ardeu 90 por cento da sua mancha florestal e a vaga de calor matou 1953 pessoas. Uma delas foi a minha sogra. Em 1966 morreram 25 soldados do Regimento de Queluz na Serra de Sintra. Sei disso porque comecei a trabalhar no dia 9-9-1966 deparando no BPA da Rua do Ouro com muita gente de lágrimas nos olhos pois Algueirão e Mem Martins são perto de Sintra e as más notícias correm depressa apesar da Censura aos jornais, à Rádio e à TV. Pois o António Barreto nada disse de parecido sobre os dois casos – que eu me lembra. Talvez porque o primeiro-ministro era Durão Barroso em 2003 e o exílio na Suíça não lhe dava elementos para exercer a sua demagogia em 1966. Falar em «número absurdo de mortos» só mesmo o absurdo António Barreto. Deveria ter ficado lá pela Suíça onde estava muito bem. Por aqui já ninguém meu conhecido quer enfiar esses e outros «barretes» do António Barreto.

(Vinte Linhas 1700 - Fotografia de Miguel Lopes)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Pedrógão Grande e Tancos - os plurais são sempre um abuso


É conhecida a história de três alfaiates ingleses que assinaram uma petição à sua rainha lá pelos idos de 1500. O texto começava com um abusivo «nós, o povo inglês» o mesmo é dizer «we, english people» mas o abuso está no plural. Tudo isto tem a ver com o fogo de Pedrógão Grande e as munições de Tancos. Não ´é preciso ter muitos contactos para receber mensagens SMS ou EMAIL utilizando um abusivo plural para dar conta da revolta individual e copiada perante os factos. Sintomático é que algumas das mais incendiárias notícias sobre o fogo de Pedrógão Grande foram assinadas por um pseudónimo de um jornalista espanhol. Quando procuraram saber quem era o «artista» a chefe de redacção referiu com todo o desplante que é normal em Espanha as notícias serem assinadas com pseudónimo. Enfim trata-se de uma pacalaia como se diz na minha terra. Quanto ao dito assalto às munições de Tancos foi por acaso num jornal espanhol que apareceu uma lista supostamente completa ou inventada do material bélico roubado. Claro que isto é um esquema tal como é esquema o artigo a comparar o fogo no Sul de Espanha com o fogo do Centro de Portugal. Os demagogos falam no plural e comparam o que não tem comparação. É como comparar os fogos daqui com os da Califórnia nos EUA. Este tratamento sobranceiro dos espanhóis e o sublinhar canino deste lado da fronteira faz-me lembrar a história da letra que todos os meses era enviada para cobrança num banco de Madrid. Essa letra era avalizada por um Banco, o mesmo é dizer dinheiro em caixa. Quando no BPA começámos a perceber que o crédito em conta só surgia no dia seguinte demos início a uma tentativa de sermos ressarcidos dos juros mas ao fim de muito tempo com cartas, telegramas e telexes veio uma resposta taxativa e plural: «Es una prática de nosostros».

(Vinte Linhas 1694)