Luís Pequito
PERGULHO – OS TÚMULOS DA MEMÓRIA
As dezanove
fotografias que integram o corpo deste livro de 93 páginas escrito por Luís
Pequito (n.1966) podem levar o leitor a considerar este trabalho como uma
fotobiografia. A edição e o grafismo são do Município de Proença-a-Nova e a
nota de contracapa é de João Lobo. O livro organiza-se em seis blocos de texto:
O ti Chico Boieiro, O ti Manuel Galo, O Domingos da Murteirinha, O Manuel
Isaías, O Padre Armando e Histórias à lareira. Mesmo quando parte de um retrato
pessoal, há sempre o cuidado por parte do autor de o envolver nas coordenadas
do tempo e do espaço geral. Neste livro a paisagem não é mais importante do que
o povoamento. Na linha de Liev Tolstói (1828-1910) para quem «a aldeia é a base
para chegar ao Mundo», estas narrativas cruzam o particular e o geral, o
público e o privado, o real e o simbólico, a crença e a dúvida, a luz e a
sombra. A página 29 do livro adapta uma quadra de Rosalia de Castro (1837-1885)
trocando a palavra Galiza por Pergulho: «Este parte, aquele parte/E todos,
todos se vão/Pergulho ficas sem homens/Que possam cortar teu pão». Embora não
seja portador de carteira profissional de jornalista, o autor leva a cabo neste
livro uma reportagem sentimental não só do tempo mas também do espaço do
Pergulho. Como o Jornalismo é uma disciplina da Literatura, este livro é, na
verdade, (tal como um poema, uma crónica, um conto, uma novela, um romance, um
ensaio ou uma peça de teatro) a possibilidade alcançada de ligar de novo tudo o
que a Morte separou. JCF
