Simon Critchley - EM QUE PENSAMOS QUANDO PENSAMOS EM FUTEBOL
Depois
de ter publicado na mesma editora «O livro dos filósofos mortos» Simon
Critchley (n.1960) apesar de ser professor de filosofia abre o seu livro sobre
Futebol com as palavras de um jogador (Johan Cruyff) que afirmou «jogar futebol
é muito simples mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que existe».
Mais tarde disse: «Nunca vi um saco de dinheiro marcar um golo». Declara o
autor na página 31: «O futebol é a minha paixão de toda a vida, é uma da poucas
coisas que se pode dizer que uniram esta vida e ligam às vidas de outros alguns
que me estão próximos como o meu pai e o meu filho». O autor confessa não ser
um neutro: «Toda a minha família veio do Liverpool e fui criado numa devoção
fanática do Clube (Liverpool Football Club) e numa crença de que a minha equipa
não era apenas muito boa mas que os seus fãs eram especiais e a sua cultuira
única». Depois cita um artigo de 25-4-07 no qual Barney Ronay afirma: «A maioria dos Clubes da Premiership
tem as suas raízes numa igreja ou num pub local». Este livro está povoado por
jogadores especiais – Zinedine Zidane, Roberto Baggio, Paolo Maldini, Thierry
Henry, Andrea Pirlo, Andrés Inierts e não só. A palavra Futebol em si tem uma
dupla inscrição tanto soccer usada nos EUA como football association usada no
resto do Mundo apela para socius, termo latino que tem a ver com «livre associação
de seres humanos». O autor manifesta-se agradecido a vários escritores que bem
escreveram sobre Futebol: Eduardo Galeano, David Goldblatt, Paul Simpson, Uli
Hesse, Simon Kuper, Jonathan Wilson, Barry Glendinning ou Barney Ronay já antes
citado e que explica melhor a sua ideia: «Isto é um resposta à ideia
tatcheriana de que não existe algo que se possa chamar sociedade». A páginas
tantas aparecem saudades dos grandes treinadores do Liverpool: Billy Shankly,
Joe Fagan, Roy Evans, Kenny Dalglish, Gerard Houlier, Rafa Benitez ou Bob
Paisley. Conclusão possível:« O futebol não é apenas sobre vencer. Normalmente é
sobre perder. Tem de ser». Edições 70, tradução Jorge Pereirinha Pires, capa
Susana Villar, revisão Joaquim E. Oliveira. JCF

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