Sidónio Bettencourt - BALEEIROS EM TERRA
Sidónio Bettencourt (n.1955) é natural dos Arrifes (São
Miguel) mas tem raízes no Pico como se lê na dedicatória: «Ao avô Manuel Moniz
da Papuda, Aos baleeiros, À minha família, Ao Povo das Lajes do Pico». O livro
é editado pelo Instituto Açoriano de Cultura com apoio da Direcção Regional dos
Assuntos Culturais e da Câmara Municipal das Lajes do Pico, capa de Raúl
Resendes, design de Angelina Caixeiro, revisão Margarida Vitória Fonseca,
aguarela de Ferdinand Bouton, fotos de Museu dos Baleeiros, família de Carlos
Cordeiro, Aurélio Machado, Ermelindo Ávila, Helder Silveira, João Melo, Manuel
Moniz Bettencourt, Márcia Olival da Rosa, Raúl Resendes, Sérgio Ávila, António
Sena e Kai-Uwe Franz. O livro de 63 páginas é o mais recente de Sidónio
Bettencourt depois de «Deserto de todas as chuvas» e «Já não vem ninguém»
(autor) e de «A balada das baleias» e «Açores – o poema da luz» (co-autor). A
qualidade e a quantidade das fotografias dão ao volume o estatuto de
fotobiográfico. A vida das baleias e dos baleeiros perdura há muito tempo na
Literatura; por exemplo Bernard Wolf, António Tabucchi, Trevor Housby, Vitorino
Nemésio, Raul Brandão, Herman Melville, Manuel Greaves, Florêncio Terra,
Rodrigo Guerra e Dias de Melo com os seus «Pedras Negras», «Mar Rubro», «Mar
pela Proa», «Vida Vivida em Terra de Baleeiros» ou «Memória das Gentes». A
página 53 afirma: «Morrem os baleeiros mas fica a sua cultura, a sua ética, os
seus rituais e a sua mentalidade». A última baleia foi capturada em 1987 e em
21 de Agosto de 1994 o autor regista: «Isto que nós estamos a viver neste
momento a bordo de uma canoa baleeira – o Ester – não vem descrito nos livros.
Pancada bem forte; chuva, mar, muito vento e o corpo é só água… Tudo tão
cinzento, cinzento quase breu. Está tanto nevoeiro, tanto mar que tenho
dificuldade em gravar um bocadinho desta chuva terrível e a ilha praticamente
desapareceu. A linha do horizonte está aqui a meia dúzia de metros.» Afinal esta
reportagem de rádio traduzida em livro vem provar que o jornalista é o
historiador do quotidiano. JCF

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