segunda-feira, 1 de junho de 2026

BALEEIROS EM TERRA de Sidónio Bettencourt

Sidónio Bettencourt - BALEEIROS EM TERRA

Sidónio Bettencourt (n.1955) é natural dos Arrifes (São Miguel) mas tem raízes no Pico como se lê na dedicatória: «Ao avô Manuel Moniz da Papuda, Aos baleeiros, À minha família, Ao Povo das Lajes do Pico». O livro é editado pelo Instituto Açoriano de Cultura com apoio da Direcção Regional dos Assuntos Culturais e da Câmara Municipal das Lajes do Pico, capa de Raúl Resendes, design de Angelina Caixeiro, revisão Margarida Vitória Fonseca, aguarela de Ferdinand Bouton, fotos de Museu dos Baleeiros, família de Carlos Cordeiro, Aurélio Machado, Ermelindo Ávila, Helder Silveira, João Melo, Manuel Moniz Bettencourt, Márcia Olival da Rosa, Raúl Resendes, Sérgio Ávila, António Sena e Kai-Uwe Franz. O livro de 63 páginas é o mais recente de Sidónio Bettencourt depois de «Deserto de todas as chuvas» e «Já não vem ninguém» (autor) e de «A balada das baleias» e  «Açores – o poema da luz» (co-autor). A qualidade e a quantidade das fotografias dão ao volume o estatuto de fotobiográfico. A vida das baleias e dos baleeiros perdura há muito tempo na Literatura; por exemplo Bernard Wolf, António Tabucchi, Trevor Housby, Vitorino Nemésio, Raul Brandão, Herman Melville, Manuel Greaves, Florêncio Terra, Rodrigo Guerra e Dias de Melo com os seus «Pedras Negras», «Mar Rubro», «Mar pela Proa», «Vida Vivida em Terra de Baleeiros» ou «Memória das Gentes». A página 53 afirma: «Morrem os baleeiros mas fica a sua cultura, a sua ética, os seus rituais e a sua mentalidade». A última baleia foi capturada em 1987 e em 21 de Agosto de 1994 o autor regista: «Isto que nós estamos a viver neste momento a bordo de uma canoa baleeira – o Ester – não vem descrito nos livros. Pancada bem forte; chuva, mar, muito vento e o corpo é só água… Tudo tão cinzento, cinzento quase breu. Está tanto nevoeiro, tanto mar que tenho dificuldade em gravar um bocadinho desta chuva terrível e a ilha praticamente desapareceu. A linha do horizonte está aqui a meia dúzia de metros.» Afinal esta reportagem de rádio traduzida em livro vem provar que o jornalista é o historiador do quotidiano. JCF        


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