sexta-feira, 26 de junho de 2026

Rui Sousa - O essencial sobre Luiz Pacheco

 


Rui Sousa

O essencial sobre Luiz Pacheco

Devo começar por referir circunstâncias que me ligam a Luiz Pacheco: conheci-o em 1967 e convivi com ele até 2008, (nasceu em 1925), fui o assinante nº 186 do seu famoso ficheiro e recebia os livros editados pela CONTRAPONTO antes de eles irem para as livrarias, visitei-o no Montijo, em Lisboa e em Palmela, entrevistei-o duas vezes para o Jornal semanário OMIRANTE de Santarém de cuja redacção fiz parte entre 1997 e 2001. Sou por essas razões um interessado na divulgação do seu trabalho ou de estudos sobre a sua obra e a sua vida. Mas não aceito tudo nem posso aplaudir tudo. Não me refiro à página 15 onde a palavra «assimetrias» aparece duas vezes no mesmo período, não me refiro às palavras como recepção, activo, excepcional, aspectos, directamente, recepção, percepção e muitas outras aqui dizimadas pelo aborto ortográfico. Não me refiro à página 42 onde surge a palavra sarja por sorja (três vezes) nem à página 9 onde o nome é Luís embora na página 15 apareça Luiz, não me refiro ainda aos nomes dos meses em caixa baixa, não me refiro à indicação de que Luiz Pacheco era filho único (terá perdido uma irmã ainda criança) nem sequer ao aborto ortográfico que dizima um texto de Luiz Pacheco – na página 77 a palavra aspecto sem «c» é impossível o autor ter utilizado antes de 1973, data da segunda edição de «O Libertino passeia por Braga». Apesar da ideia-chave de síntese, este livro de 122 páginas de Rui Sousa (Imprensa Nacional) parte dos contributos de Ana da Silva, João Pedro George e António Cândido Franco mas não pretende confundir-se com uma biografia. Além de escritor, Luiz Pacheco foi editor; a sua CONTRAPONTO editou autores portugueses como Raul Leal, Manuel Laranjeira, Mário Cesariny, Vergílio Ferreira, Manuel de Lima, António Maria Lisboa, Natália Correia  e Herberto Helder ou estrangeiros como Eugène Ionesco, Luigi Pirandello, Karl Jaspers, Anton Tchekov, Dostoievski e Marquês de Sade. Um livro valioso e oportuno, prejudicado pelo aborto ortográfico de 1990 que aqui surge na fronteira do delírio e da alucinação.   JCF        


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