MODERN BUILDINGS IN BLACKHEATH AND
GREENWICH LONDON 1950-2000
Um dos
aspectos mais curiosos deste livro de 416 páginas (Editora Park Books – Zurich)
é que a jovem autora nasceu em Lisboa (1978) e os arquitectos cujo trabalho
está plasmado neste inventário qualificado de dois bairros londrinos (rua a
rua, casa a casa) formando uma espécie de «bilhete de identidade» de cada
projecto e de cada realização, são também, em grande parte, emigrantes – vieram
de países como Iraque, Índia, Jugoslávia, Itália, Alemanha e na maioria do Reino
Unido entre ingleses e escoceses. A identificação de cada casa envolve: morada,
arquitecto autor do projecto, pessoa ou promotor imobiliário que fez a
encomenda, ano da construção e prémios atribuídos. Quinze das casas estudadas
foram desenhadas pelo arquitecto para nela viver com a sua família. Ao mesmo
tempo que fazia o trabalho de campo, a autora pôde consultar os arquivos do RIBA
Royal Institute of British Architects, fundado em 1834 e que integra quase toda
a memória da arquitectura inglesa. O trabalho demorou sete anos pois incluiu
entrevistas a arquitectos e seus familiares, promotores imobiliários, consulta
de arquivos municipais e entrevistas com historiadores. Não por acaso o prefácio
é assinado por Neil Bingham, reputado historiador ligado à Royal Academy of
Arts, ao RIBA e responsável no Victoria anda Albert Museum pela curadoria da
vertente histórica da Arquitectura. Além das casas estudadas em pormenor, o
livro indica em três página outros edifícios com interesse na zona de
Blackheath e de Greenwich. Para além do apoio do mecenato (John Payne)
colaboraram de modo activo no livro (entre outras entidades e pessoas) The
Blackheath Society, The Greenwich Society e o Wates Family Enterprise Trust. A
autora estreou-se em livro no ano de 2003 com «Personagens para um lugar
memorável» (Editora Black Sun - Lisboa) um livro de contos curtos por si
ilustrados. Assumiu desde Janeiro de 2026 a presidência da The Blackheath
Society. Seguindo à risca as indicações de Tolstoi («Se queres ser universal,
escreve sobre a tua aldeia») a autora juntou os desenhos, mapas e plantas à
escala do marido (Ian Sutherland), as fotografias do filho Tomás e o trabalho
de relações públicas do outro filho Lucas. Tal como num poema, este livro foi
escrito para juntar de novo tudo o que a Morte separou. JCF
