Ana Sofia Brito
O grande
ponto de partida deste grupo de 25 histórias que ocupam um livro de 111 páginas
(Editora On y va, apoio da Câmara Municipal de Albufeira, ilustrações de
Guilherme Limão, grafismo e paginação de João Paulo Fidalgo, foto da autora de
Daniel Azevedo) está na página 6: «Se queremos saber para onde vamos, temos de
saber de onde viemos». A autora é licenciada em Letras, jornalista, actriz e
malabarista e este é o seu quinto livro publicado. Sendo bisneta, neta, filha,
amiga, mãe, prima e tia de gente albufeirense, Ana Sofia Brito escreve sobre
pessoas mas, ao mesmo tempo, faz uma declaração de amor à sua cidade – sua luz,
sua beleza, seu cheiro, suas ruas. No meio das 25 histórias com gente de
Albufeira lá aparece um holandês: «O holandês do Café Sul tinha a mania de que
era o dono da vila e de que tinha chegado para pôr ordem no chiqueiro, como ele
dizia. Não sei onde é que raio aquele estúpido aprendeu a palavra chiqueiro mas
andava sempre com ela na boca quando era para se referir às coisas que lhe desagradavam
em Albufeira». A banda sonora deste livro pode ter Toots Hibbert, Gregory
Isaacs, Bob Marley ou Peyter Tosh e está na página 85. Citando uma das
histórias do livro (Uma barraca na feira) podemos concluir que a vida é feita de
lágrimas e de sangue pisado mas pelo meio surge um tempo de humor: «A bem
dizer, aquilo era uma barraca de meninas, pronto. Os homens assomavam-se a
fazer de conta que compravam pão com banha mas a banha ali era outra». Se não
existisse já um livro com esse título, este poderia chamar-se «Um reino
maravilhoso» não no sentido de maravilha mas de encanto, de amor, de
luminosidade, de oração profana que procura e consegue juntar de novo tudo o
que foi separado pela Morte e pelo esquecimento. As ilustrações de Guilherme
Limão fazem deste livro um álbum, uma bela fotobiografia de um tempo e de um
lugar. JCF

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