domingo, 15 de outubro de 2017

Menina 25 Anos Depois


Vem do lado da luz e faz um vagaroso intervalo na pressa do trânsito, tão veloz e tão compacto.
É um tempo novo que os seus olhos abrem no que resta da manhã: a cidade tinha uns taipais de névoa e foi a sua força que os rompeu. Barcos aflitos apitaram no Tejo o desassossego da rota duvidosa.
São estes os paradoxos do Tempo: quem procure o seu bilhete de identidade achará cifras e datas, uma cronologia pesada. Porém, nem a voz nem o olhar nem o corpo solto e leve se conjugam com o tempo registado. E a luz, aquilo a que chamo luz, mistura de respiração e olhar, retrato e volume, ruptura e movimento, essa continua a iluminar quem dela, mulher-menina, se aproxima. Tal como há vinte e cinco anos ela transporta as quatro estações na voz, os dias da semana no olhar, os meses no rosto, as horas nas mãos.
É o tempo condensado de uma viagem entre o campo e a cidade.
Celeiro de emoções, adega de perfumes, eira de saudades, sótão de memórias, a sua voz é, ainda hoje, o registo pessoal da luz da aldeia contra a névoa da cidade.

(Óleo de Albert Linch)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

António Barreto sem emenda ou «o número absurdo de mortos»


António Barreto escreve no «Diário de Notícias» de 10-9-2017 na sua página «Sem emenda» esta frase miserável: «Os incêndios florestais de 2017 especialmente de Pedrógão Grande, entraram para a história.» Considero a frase miserável porque é demagógica, é parcial, é mentirosa, é omissa em relação às coordenadas e às circunstâncias. Este mesmo António Barreto fica numa nota de rodapé da História de Portugal porque ajudou a rebentar com a Reforma Agrária tal como Maldonado Gonelha ajudou a «partir a espinha à Intersindical». Eles foram dois «peões de brega» numa «tourada» em que o «inteligente» foi Mário Soares. Como inteligente, foi dele que partiu a indicação de música para as «faenas»; não uma música qualquer mas uma música muito triste como a dos «robertos» ou das «cégadas».
Em 2003 morreram 18 pessoas nos fogos do concelho de Vila de Rei, ardeu 90 por cento da sua mancha florestal e a vaga de calor matou 1953 pessoas. Uma delas foi a minha sogra. Em 1966 morreram 25 soldados do Regimento de Queluz na Serra de Sintra. Sei disso porque comecei a trabalhar no dia 9-9-1966 deparando no BPA da Rua do Ouro com muita gente de lágrimas nos olhos pois Algueirão e Mem Martins são perto de Sintra e as más notícias correm depressa apesar da Censura aos jornais, à Rádio e à TV. Pois o António Barreto nada disse de parecido sobre os dois casos – que eu me lembra. Talvez porque o primeiro-ministro era Durão Barroso em 2003 e o exílio na Suíça não lhe dava elementos para exercer a sua demagogia em 1966. Falar em «número absurdo de mortos» só mesmo o absurdo António Barreto. Deveria ter ficado lá pela Suíça onde estava muito bem. Por aqui já ninguém meu conhecido quer enfiar esses e outros «barretes» do António Barreto.

(Vinte Linhas 1700 - Fotografia de Miguel Lopes)

domingo, 1 de outubro de 2017

Jorge Silva Melo ou no melhor pano cai a gralha


A minha ligação ao Teatro não é de agora. Desde 1966, quando vim para Lisboa trabalhar no BPA da Rua do Ouro, estava muito perto do José Palla e Carmo e frequentei teatros os mais diversos. Vi peças de (entre outros) Luzia Maria Martins, Bernardo Santareno, Romeu Correia ou Bertolt Brecht, vi actores como (entre outros) João Perry, Vasco de Lima Couto, João d´Ávila, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra, Rogério Vieira, Luís Lucas, Paulo Renato, Laura Alves, José Viana, Raúl Solnado. Chega. Estiva na Sala Cinzenta do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas na encenação de «A excepção e e regra» com música de José Afonso. Brecht, claro, tal como em «O círculo de giz caucasiano» no Teatro Aberto da Praça de Espanha. Recordo também o «Casimiro e Carolina» e o «Não se paga, não se paga» de Dário Fo. E a Raquel Maria que, nesta memória, não pode ficar para trás. Num certo sentido vejo no Teatro a fragilidade e a força da Poesia. Um dia Maiakowsky terá escrito que «as palavras valem pouco, tanto como as pétalas pisadas depois de um baile» mas o problema é que precisamos de palavras para comunicar com os outros, seja na Poesia, no Teatro ou em qualquer aspecto mesmo comezinho da vida. Nisto das palavras o medo maior são as gralhas. Na Poesia como no Teatro. Acabo de receber o programa dos «Artistas Unidos» sobre a peça de Dimítris Dimitriádis «A vertigem dos animais antes do abate» e lá está na linha 6 do texto «récia» em vez de Grécia. Falta um «G» em caixa alta. Talvez por isso tenho saudades do tempo em que as coisas eram compostas a chumbo. Outro aspecto diz respeito às sessões «A voz dos poetas» que só referem o local (Rua da Escola Politécnica 135) mas não a hora. Como dizia o outro – pequenas coisas que não são coisas pequenas. Nota final – talvez o nome de Brecht não seja bem assim. 

(Vinte Linhas 1699)

sábado, 23 de setembro de 2017

«A Benfica dos Lobo Antunes Exposição até ao dia 15 de Outubro


Trata-se de uma exposição que mistura dois tipos de memória (fotografia e texto) aberta desde 15 de Setembro a 15 de Outubro no Espaço Ulmeiro na Avenida do Uruguai 13 A (Benfica) de Segunda a Sábado das 9h30m às 19h. A curadoria é de Ana Sofia Franco e Andreia Friaças, os patrocínios são do Espaço Ulmeiro e da Info Friaças Lda e o apoio institucional é do Arquivo Municipal de Lisboa – Câmara Municipal de Lisboa.
Estamos em 2017 e esta é uma viagem no tempo, um regresso teórico ao passado, uma busca do nosso tempo perdido na cidade de todos nós. Estas ruas (sabemos de ciência certa) não vão voltar a ser como nas fotografias, as calhas dos eléctricos desapareceram, a ideia de que há sempre lugar para o estacionamento é mentira. Trata-se (arrisco a afirmação) do esplendor da nostalgia. A foto sugere algo como «eu passei por ali em 1966», há uma inscrição pessoal de cada um dos espectadores da exposição numa memória colectiva.
Parece de propósito mas horas depois de visitar a exposição «A Benfica dos Lobo Antunes» recebo «O nome dos poemas», livro de Soledade Martinho Costa (Edições Vela Branca) onde na página 50 se pode ler este poema para António Lobo Antunes: «A manter vivos / Os nomes / E a Casa / Ser o eco da infância. / À flor da pele / A ternura / Assumida e assinada. / Mas ser também / Vela de seda / Em mastro desfraldada / Num mar de rebeldia / E de coragem. / A inverter as regras / Ao recato / Imposto ao bom nome / Das palavras.»
Como diziam os cauteleiros de antigamente «Há horas de sorte» e isto de receber um belo livro com um poema dirigido a um protagonista de uma exposição de fotografias antigas e de palavras modernas foi mesmo uma hora de sorte.

(Vinte Linhas 1701)

sábado, 16 de setembro de 2017

Dissertação para um quadro de Maria de Lourdes Mello e Castro


Num primeiro olhar vejo neste belíssimo quadro de 1957 o sorriso de Lena, a menina de 1976 quando subia ao monte de pedras do Jardim da Estrela para ver o Rio Tejo. Lena, ela-mesma, a Leninha, a mais nova num gruo de cinco irmãos (Kiki, Guida, Tó, Rui, Lena) a Lena que estava na Quinta do Conde num tempo de sonhos quando parecia a todos nós que o tempo não voava, como voa, afinal. Escreveu um dia Ruy Belo que «o medo da morte é a fonte da arte» e talvez seja essa a razão para o quadro de Maria de Lourdes Mello e Castro e para a minha obscura e discreta crónica. Hoje estamos em 2017, sessenta anos depois do quadro, falo com Lena uma vez por ano e sei que as suas filhas já estudam na Universidade. Eu próprio sou um portador de passe da terceira idade que me dá descontos porque pago hoje metade do que pagava em Fevereiro passado. A viagem da obra de arte é outra, não precisa de autocarros ou Metros nem de comboios para atravessar a paisagem e o povoamento da nossa vida cinzenta.
A obra de arte torna-se mais portátil, mais leve, mais particular. Graças à multiplicidade das cópias de um quadro de 1957 podemos hoje recordar num óleo com sessenta anos uma menina que nasceu em 1976 e nunca mais saiu da memória deste seu amigo nascido em 1951. Num quadro, tal como num poema, cada leitor apropria-se daquilo que julga poder guardar junto ao lado mais sentimental do corpo humano – o lado do coração. Num certo sentido não podia ser a Lena que em 1957 ainda não tinha nascido mas no quadro é de facto, na verdade, a Lena. Essa Lena de 1976. O esplendor do sorriso, a luz do olhar, a serena contemplação do Mundo. Ou dito de outra maneira e como queria André Breton: «É no amor humano que reside todo o poder de regeneração do Mundo».                         

(Crónicas do Tejo 77)

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O eléctrico «28» debruçado sobre o Rio Tejo


(dedicado a Thomas Francisco Sutherland em Londres)

Este é o meu eléctrico desde 1966 quando comecei a trabalhar no BPA da Rua Áurea nº 110 e morava na Travessa do Caldeira, ali à Calçada do Combro. Nesse tempo o «28» subia a Rua Augusta e descia a Rua Áurea à noite e nos fins-de-semana. Isso permitia-me ir ao cinema Estúdio 444, apanhar o Metro na estação do Campo Pequeno, sair na do Rossio e esperar o «28» ao pé das floristas do Largo. Outro dia arrancaram os carris da Rua Áurea e foi para mim doloroso porque aqueles ferros eram parte da minha memória viva tantos anos depois daquelas tão antigas viagens.
Anos depois foi o meu filho Filipe que nele viajou com os seus mais chegados amigos (os Tiagos e o Hélder) no tempo da Escola Secundária David Mourão-Ferreira e mais tarde quando a Escola Veiga Beirão mudou de nome. Tinha sido ela a minha Escola em 1971 quando, graças ao trabalho do Poeta Manuel Simões, nosso professor, os meus primeiros poemas foram editados e saíram num livrinho colectivo com o título de «Lugar de Ser».
O meu neto Thomas chama-lhe «my tram» («o meu eléctrico») e fica surpreso quando no Largo das Duas Igrejas vê passar o «28» que vem dos Prazeres para a Graça. Admira-se em voz alta: «look, there is another!». Ou seja, «olha afinal há outro!». Claro que há outras memórias do mesmo eléctrico. Eu próprio, já avô, fui muitas vezes no tal «28» à Voz do Operário ali na Graça buscar o meu neto Pedro o fim da tarde.  Este «28» é afinal todos os eléctricos que transportam passageiros e memórias, eles são uma cápsula do tempo feita de vidro e de madeira, feita de ferro e de napa – que os bancos de palhinha já não existem. Só a memória, só a recordação, só o sentimento.

(Crónicas do Tejo 75 - fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Portugal - entre a sarjeta e o altar



Portugal é um país de analfabetos que conhece Bulhão Pato pelas amêijoas, Camões pelo olho perdido em combate e Bocage pelas anedotas. Não há volta a dar a esta situação. Foi para mim muito penoso e desagradável um destes dias ter ouvido alguém que parecia um sacerdote católico de Pedrógão Grande enquanto se paramentava a falar no que temia da burocracia portuguesa como sinónimo de atraso nas indemnizações. O vómito era grande, o nojo era enorme, a repulsa era poderosa. Alguém numa televisão pretendia transformar em notícia um simples temor (ainda por cima) direcionado a uma entidade (burocracia) não apresentada nem definida nem apontada,
O mesmo sacerdote católico nada disse (eu não o ouvi) em 2003 quando ardeu noventa por cento da mancha florestal do concelho de Vila de Rei, morreram dezoito pessoas e a vaga de calor fez 1593 (ou 1953) vítimas só confirmadas pelo INE em Janeiro de 2004. Presumo também que nada disse em 8 de Setembro de 1966 quando na Serra de Sintra morreram na flor da idade vinte e cinco jovens militares do Regimento de Queluz.
Aos Domingos de manhã há muitas pessoas a sair de uma igreja dos arredores de Lisboa e a atravessarem a estrada fora das passadeiras tal é a pressa de comprarem um jornal que em vez de tinta usa a água suja das sarjetas para ser impresso. Esta relação entre a sarjeta e o altar preocupa-me mas já não a estranho. Em Portugal é assim. Os que saem a correr da igreja nem reparam no jornal «A Voz da Verdade» que fica numa pequena mesa ao lado da pia baptismal. «A Voz da Verdade» é um jornal que tem poucos leitores. Os seus possíveis leitores que vão à missa dominical preferem um jornal impresso com a água suja das sarjetas.   

(Vinte Linhas 1698)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

João de Melo - as lágrimas e os beijos ou «Gente feliz com lágrimas»


O Facebook tem destas coisas: li um texto teu mas perdi-lhe o rasto e apenas posso recordar os tópicos. Falava da tirania, do abuso de poder, do fascismo, da maldade. Falava da Turquia mas eu não me esqueço da Arménia porque passaram apenas cem anos e cem anos é muito pouco, é o tempo entre o meu avô e o meu neto. Escolhi uma foto de um funeral de crianças na Faixa de Gaza porque vem mesmo a propósito. Há apenas homens a chorar a morte dos seus filhos inocentes. As mulheres ficaram a chorar de outra maneira, depois de terem beijado os seus mortos. Há aqui na Faixa de Gaza o outro lado do Gueto de Varsóvia e o que eu vejo neste funeral de meninos lembra os mortos de Der Iassine em 1948. Trata-se da operação «chumbo fundidio» idealizada numa cama de Hospital por Ariel Sharon. A morte é sempre uma experiência limite, uma tragédia e nunca uma estatística. Houve um Quisling na Finlândia, um major Hadad no estado fantoche entre o Sul do Líbano e o Norte de Israel. Ambos foram executados a seu devido tempo. Sabra e Shatila são massacres muito falados em 1982. Ainda hoje muita gente ao recorda no Líbano e não só. Há poemas vários e outras memórias. Eu não esqueço. Muito curioso é o facto de o teu texto referir a Turquia. Sabemos que a Arménia era um país e passaram cem anos sobre o genocídio do seu povo. O senho Calouste Gulbenkian veio para Portugal e aqui se sentiu bem. Todos em Portugal ficaram a ganhar mas os arménios foram mortos como passarinhos e os rios encheram-se de sangue perto de Erevan. «A vida não é nobre, nem boa nem sagrada» escreveu Federico Garcia Lorca. A fotografia com o rumor das lágrimas e dos beijos mostra um funeral na Faixa de Gaza e prova isso mesmo. Como diz um título de um livro teu é tudo isto é a «Autópsia de um mar de ruínas». 

(Vinte Linhas 1696 - Fotografia de autor desconhecido)

domingo, 13 de agosto de 2017

Carta a João Oliveira e Costa


Quando aceitei o seu pedido de amizade no Facebook estava a lembrar-me da entrevista que lhe fiz para a «Gazeta das Caldas» a propósito do seu livro «O império dos pardais». Nunca esperei que minutos passados caísse no meu Facebook uma chuva de tretas saídas não da sua Universidade mas da Faculdade de História da Rabicha, ali a Campolide, lugar onde a História é falsificada. Para além das tretas custou-me muito ver que em alguns comentários aparece a expressão «Carrega Benfica» que é uma cópia mentirosa, repugnante e mal feita de uma frase  do treinador Joseph Szabo (há quem escreva José Sezabo) dirigida a Fernando Peyroteo. Vem na página 85 do livro «Memórias de Peyroteo» e a sua expressão integral está na frase - «Não esquecer principal papel dê avançado-centro: Carega Maria!! (Compreenda-se atirar ao golo)» O comentário entre parêntesis é do autor do livro, Fernando Peyroteo.
Por favor arranje maneira de me desligar desta «amizade» no Facebook que não me interessa, só me desgasta  e onde entrei por engano. Tenho 66 anos de idade, nasci em 1951 e já não tenho paciência para muitas coisas, uma delas é este conjunto de tretas que me entrou assim tão de repente pelo ecran dentro. Para si não terá qualquer importância pois amigos não lhe faltarão e a mim faz-me diferença. Este friso de atletas do SLB mostra entre outras coisas que o gesto era transversal a todos os clubes grandes e até a alguns mais pequenos como o Casa Pia. O senhor que é especialista em História percebe muito bem que a matriz da época é muito importante para perceber um gesto. Não podemos olhar para coisas e pessoas dos anos 30 com os olhos de 2017. Fico à espera da supressão deste equívoco. Por favor. Espero que não me desiluda porque no Facebook não posso (mesmo!) ser seu amigo. 

(Vinte Linhas 1697)

domingo, 6 de agosto de 2017

Penélope - editora, livraria, livros e outras coisas sobre o Bairro Alto


Por um simpático comentário a uma ficha de leitura por mim assinada noutro Blog («transporte sentimental») soube do interesse de alguém (assina «Penélope») por tudo o que diga respeito ao Bairro Alto. Começo por referir a editora Apenas Livros cujo telefone é o 217582285; foi esta a editora do livro «Cancioneiro do Bairro Alto». Da parte das pessoas da editora em causa pode vir uma boa ajuda nas suas pesquisas. Depois assinalo o número de telefone da Livraria «Fábula Urbis» que é o 218885032. É uma livraria que tem tudo, mesmo tudo, sobre Lisboa. Vale sempre a pena uma visita, sairá sempre mais rica do que entrou. Também sugiro o livro «Dicionário das Alcunhas Alfacinhas» da editora Livros Horizonte com introdução e notas de Francisco Santana. Veja-se por exemplo a interessante entrada sobre «Ana do Cão» na página 13: «Mulher de baixa categoria e de má nota, que tinha uma casa de toleradas na Travessa da Palha. Era muito conhecida entre os estroinas de há 40 anos. Dizem que o poeta Mário Sá Carneiro, que se suicidou em Paris, o fez com desgosto de o pai ter contraído matrimónio com essa mulher por quem se apaixonou depois de velho.» Outro livro a recomendar é o romance «Bairro Alto» de Avelino de Sousa, romance baseado na opereta homónima do mesmo autor que foi levada à cena em Lisboa no teatro de São Luiz em 22-4-1927 (faz agora 90 anos!) pela Companhia de Armando de Vasconcelos com música de Venceslau Pinto, Alves Coelho e Raul Portela. Sugiro ao mesmo tempo os dicionários de Orlando Neves e Afonso Praça. Num deles, entre o calão e o palavrão, lê-se na entrada «Variedades» esta célebre frase que só podia ser ouvida no Bairro Alto de outros tempos: «Ó filho eu só faço o natural, se queres variedades vai ao teatro.»

(Vinte Linhas 1695)