Emanuel
Jorge Botelho (n.1950) estreou-se em livro no ano de 1981 e este seu mais
recente volume (2025) tem 41 páginas - Editora Averno, capa Inês Dias, grafismo
Pedro Santos. Já em 1986 a Revista «Seara Nova» tinha chamado a atenção para a
importância da sua poesia (ao tempo) em afirmação. É o que se pode chamar um
corredor de fundo. Claro que as coisas não são assim tão simples; basta pensar
nos casos de Cesário Verde (1855-1886) ou de Charles Bizet (1838-1875) para
perceber que não são apenas os maratonistas que ficam na posteridade das letras
e das artes. Os jovens que morrem cedo também ficam num panteão de qualidade e
memória. Voltando ao livro cujo título lembra a ideia da morte, notamos as
citações na página 5 – Malcolm de Chazal, Marina Tsvietaieva e Paul Celan. O
poema da página 7 abre o livro e refere «talvez assim me safe da purga com que
a alma/se livra do ardil da incerteza/e o silêncio venha, sem ser visto/repor a
verdade que há na morte». A chave pode estar na página 13 («cada poema é um sudário
da alma») ou na página 20: «fazes o quê com o medo que te resta?». Perante o
inevitável da morte só o amor pode responder: «é tudo muito simples;/digo meu
amor/e tudo sara no meu corpo/o meu medo sabe de cor o teu nome/e gosta da tua
voz.» O livro apresenta ainda epígrafes de E.M. Cioran, Yannis Ritsos, José
Sebag, Paul Celan e Artaud. JCF
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